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A tradição do fumeiro de Ponte Lima que anda a correr o mundo 2014

É uma empresa portuguesa, alicerçada na forte tradição minhota do fumeiro e dos enchidos. Os antepassados da Minhofumeiro têm raízes familiares, mas a entrada de Portugal na União Europeia foi a oportunidade de levar os enchidos desta empresa de Ponte de Lima para a Europa, e do velho continente para o resto do mundo.

António Paulino não consegue disfarçar o orgulho nos salpicões, presuntos e chouriços devidamente conservados em diferentes salas refrigeradas antes de expedir para o cliente. Há cem anos atrás, o cenário seria certamente diferente, mas o aspecto e o sabor destes enchidos não estaria muito distante do que é hoje possível ver e provar. E este é realmente o grande motivo de orgulho do empresário, 50 anos, que diz sem reservas serem "a única empresa nacional a fazer uma salga manual segundo o método artesanal."

A marca que hoje dirige foi constituída em 1993, mas o saber fazer desta arte já vem de longe, de uma tradição que passou de geração em geração da família Borges, em Ponte de Lima, até chegar ao conhecimento da esposa. A entrada na União Europeia trazia oportunidades para a indústria agroalimentar, mas também comportava riscos. Neste caso, António Paulino percebeu rapidamente que "as pequenas empresas teriam de criar condições na área da segurança alimentar e nós tivemos de optar: ou avançávamos ou parávamos."

E avançou. Em 1993 constituiu a marca "Minhofumeiro", começando pelo investimento de 800 mil euros na "remodelação e ampliação de uma estrutura completamente nova", mantendo todas as características de produção de enchidos, "desde as salmouras manuais, o atar do chouriço manualmente e a busca de produtores de animais próprios".

Feito o investimento, a rota escolhida teve sempre a tradição como destino e a qualidade como veículo. Afirma que em 20 anos de marca nunca se iludiu pelo negócio fácil. "Nós não abdicamos da qualidade. Temos produtores que semeiam salsa, alhos, cebolas, em exclusivo para nós". Para as "vinhas de alho" recorrem apenas a pipas de vinho verde da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.

Claro está que a tradição tem um custo e não é um modelo de negócio para muitos concorrentes. Em tempos de crise, António Paulino admite que "a nossa principal dificuldade é a mesma que o país atravessa. E como temos produtos de valor acrescentado, as pessoas não têm dinheiro".

Apesar disso, tem vindo a crescer todos os anos e continuando a investir. Em 2003 foram 750 mil euros aplicados numa ampliação da fábrica, que António espera esgotar nos próximos anos para que em 2016 se possa lançar numa nova ampliação ou até na construção de uma nova fábrica.

Artigo completo em: https://www.jn.pt/micro-sites/fazemos-bem/noticias/a-tradicao-do-fumeiro-de-ponte-lima-que-anda-a-correr-o-mundo-3829209.html?id=3829209 28 Abril 2014